"Sem filosofia, os pensamentos são (...) enevoados e indistintos; a sua tarefa é torná-los claros e dar-lhes limites definidos." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O que é um problema Filosófico?

@ É preciso saber formular um problema filosófico.
@ As questões filosóficas (conteúdo) são existenciais e valorativas (critério para reconhecer uma questão filosófica).
@ As questões filosóficas não têm solução científica ou técnica.
@ As questões filosóficas não são questões de facto.
@ As questões filosóficas ultrapassam o campo da legalidade.
@ As questões filosóficas exigem reflexão e não há resposta imediata.
@ As questões filosóficas perguntam pela razão das coisas (porquê).
@ As questões filosóficas devem ser formuladas através de enunciados abertos, gerais, abstractos e evitando o uso de termos negativos.


DESAFIO:
1. Distinga questões filosóficas de questões de facto, científicas, técnicas e legais. Pode/deve apresentar exemplos.
2. Apresente exemplos de questões filosóficas bem formuladas.

4 comentários:

Anónimo disse...

Questões Filosóficas: são aquelas que dizem respeito a toda a humanidade, não devem ser enunciadas negativamente, mas sim de forma aberta, geral e abstracta.

As questões filosóficas podem:

1. Não ter solução científica ou técnica: Há problemas importantes e graves e que podem parecer filosóficos, mas não são já que a resposta pode ser dada por especialistas no campo da ciência e da técnica.

Exemplo:
• Como acabar com a toxicodependência?
• Como curar o cancro?

2. Não ser questões de facto: exigem uma resposta objectiva e apelam a conhecimentos provenientes do senso comum ou da ciência.

Exemplo:
• Quais foram os ideólogos da revolução francesa?
• Qual a composição química de um hidrato de carbono?

3. Ultrapassar o campo da legalidade – são de natureza legal as perguntas sobre as leis vigentes.

Exemplo:
• É possível não entregar a declaração do IRS?
• Que me acontece se exceder, injustificadamente, o número de faltas previsto?

Tatiana Alexandra

professora Paula Silva disse...

Muito bem Tatiana...
e desta vez foi a primeira a comentar..

Unknown disse...

1 - Distinga questões filosóficas de questões de facto, científicas, técnicas e legais. Pode/deve apresentar exemplos.

 Conteúdo das questões filosóficas

O conteúdo/ assunto sobre que incide uma pergunta, é o primeiro critério a atender para lhe reconhecermos o seu carácter filosófico.
As questões filosóficas são existenciais (existência do homem) e valorativas (valores), exigindo uma resposta que influencia os nossos comportamentos, ou seja, o modo como nos relacionamos com o mundo e com os outros.
Trata-se de questões colocadas pela generalidade das pessoas, em virtude de serem fundamentais para a existência de cada uma delas, ou seja, são universais.
Têm implicações no modo como as pessoas agem, pois estas perguntas incidem sobre a legitimidade das diversas formas de actuação, diferenciando-se de outras questões, como sejam as de ordem técnica científica, factual ou legal.

Unknown disse...

 Distinção entre questões filosóficas e questões científicas/técnicas
As questões científicas/técnicas não são filosóficas, pois a resposta poderá vir a ser dada por especialistas do campo da ciência e da técnica, ou seja, pode-se formular um plano para resolver determinado problema/questão.
Este tipo de questões são formuladas, frequentemente com a palavra “Como…?”, pois quem pergunta “Como?” é a ciência.

Exs.:
• Como evitar os efeitos de um sismo sobre as populações?
• Como acabar com o mau comportamento nas escolas?
Ao contrário das questões científicas, as questões filosóficas não requerem soluções de foro da ciência ou da técnica, mas do da reflexão filosófica.
Nas questões filosóficas pretende-se descobrir as razões do ser das coisas, portanto estas questões só poderão ser equacionadas por um modo de pensar filosófico, sendo as perspectivas de respostas apresentadas por diversas pessoas divergentes.
Este tipo de perguntas perguntam o “Porquê…?”, sendo as respostas a este tipo de questões mediatas.
Exs.:
• Para que há-de haver catástrofes naturais?
• Qual a razão da indisciplina nas escolas?

 Distinção entre questões filosóficas e questões de facto
As questões de facto são aquelas que incidem e se resolvem por referência a fenómenos menos observáveis ou a informações que se possam obter, ou seja, são questões para as quais há uma resposta, que para a obter basta fazer uma pequena pesquisa.
Exs.:
• Qual o primeiro país a pôr fim à escravatura?
• Qual o símbolo químico do elemento carbono?



Estas questões exigem respostas objectivas, estranha a qualquer visão pessoal, apela para um saber, para conhecimentos ou informações que podem resultar do senso comum ou da ciência?
Quando perguntamos:
Posso atropelar os outros para subir na carreira?



É uma questão de facto, porque poder pode-se, mas não se deve, porém qualquer pessoa tem o pode de usar os outros, apesar de estar errado.

Mas se alguém perguntar se pode pelo dever, então já estamos nas questões filosóficas.
Exs.: Tenho o direito de subir na profissão, usando os outros para satisfazer as minhas pretensões?
Nas questões filosóficas o “posso…?” deixou de ser interpretado em termos de facto, adquirindo o sentido de “devo…?”, “é lícito…?”, “é legítimo…?” ou “tenho o direito de…?”.

 Distinção entre questões filosóficas e questões legais
As questões legais são aquelas que se resolvem pelo recurso às leis vigentes. Através da análise de um conjunto de leis, por exemplo de um país, é fácil dar respostas eficazes a questões deste teor, sempre no âmbito do “é permitido” ou “é proibido”.
Exs.:
• É permitido dar emprego a menores?
• É possível não pagar os impostos?
Nas questões filosóficas têm um outro sentido, cuja resposta não é possível de encontrar nas leis.

Exs.:
• Será eticamente correcto servir-me do trabalho infantil?
• Devo furtar-me aos impostos, se todos os outros os pagam?


2 - Apresente exemplos de questões filosóficas bem formuladas

Os enunciados por que se expressam as questões filosóficas têm de ser abertas, gerais, abstractos, evitando o uso de termos negativos.
Para formular este tipo de questões devemos usar “pode-se…?” ou “é possível…?” de preferência a “posso…?”; “deve-se…?” ou “ é legítimo…?” de preferência a “devo…?”, pois o “eu” e o “tu” devem ser evitados, porque traduz a singularidade, não admissível em termos filosóficos.
Exs.:
• Pode a humanidade ser cruel?
• A beleza será uma característica essencial da arte?
• Devem as pessoas fugir da felicidade?
• É legítimo roubar?
• Será a tradição um obstáculo ao progresso de um povo?
• Pode a humanidade ser conflituosa?
• Haverá circunstâncias que justifiquem a traição?
• Será aceita a eutanásia?