"Sem filosofia, os pensamentos são (...) enevoados e indistintos; a sua tarefa é torná-los claros e dar-lhes limites definidos." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ética de Epicuro e Kant

Síntese da Joana Rodrigues; trabalho estético e de transformação em e-book da professora Paula Silva.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

SER PESSOA

Falar em ética é falar em pessoas. Só pessoas são capazes de condutas éticas. Mas as pessoas vivem sempre integradas socialmente, e isso implica que a ética tenha não só uma dimensão pessoal como também uma dimensão social, sendo as duas indissociáveis.”

PESSOA

Ética – Dimensão Pessoal e Social
Þ  Ser único = irrepetível, insubstituível = entidade singular, individual;
Þ  Ser racional = capaz de julgar, avaliar, premeditar, prever = com capacidade crítica, sabe dizer sim/não;
Þ  Ser portador de valores = só as pessoas podem realizar valores éticos;
Þ  Ser livre = com capacidade para escolher / decidir em consciência e em função de valores, daí o ser responsável;
Þ  Ser com dignidade = com valor absoluto, incomensurável;
Þ  Ser com consciência moral = sabe distinguir o bem do mal, sabe agir por dever;
Þ  Ser que existe como um fim em si mesmo; não é uma coisa/objecto (meio);
Þ  Ser capaz de compromisso = age recusando a abstenção, a neutralidade, a indiferença;
Þ  Ser social, que participa na sociedade intelectual e moral, convive com os outros, realiza-se e reconhece-se através do outro;
Þ  Ser em proximidade = a pessoa vive com os outros (em sociedade), por isso é solidária e constrói amizade (deseja o bem da outra pessoa);
Þ  Ser aberto = em constante diálogo com os outros e com o mundo (os outros não são um limite mas uma possibilidade de crescimento);
Þ  Ser total, a pessoa é uma totalidade na diversidade de papéis que desempenha.

A dimensão pessoal e social da ética – o si mesmo, o outro e as instituições

O homem é uma construção continuada e é nesse processo que adquire consciência moral, o que o torna pessoa, isto é, um sujeito moral.
         A formação do homem enquanto sujeito dotado de consciência moral exige uma indissociável relação consigo mesmo, com o outro e com as instituições.

O eu e o outro
         Neste processo evolutivo, o querer individual defronta-se com o querer do outro, isto é, as necessidades, impulsos e desejos pessoais deparam com um dever-ser, construindo e ditado como ideal pela sociedade e estatuindo nos seus códigos, Instala-se, assim, um conflito entre aquilo que cada um deseja e aquilo que lhe é socialmente exigido. É na resolução destes conflitos que o ser humano vai interiorizando os padrões e normas de conduta e experiencia os valores sociais reinantes.
         Se a vivência do conflito faz nascer o sentido da sua liberdade, a sua resolução, com a interiorização de normas e valores, dá-lhe a consciência do seu eu social.
         Com o estabelecimento da noção de dever, a consciência de si adquire uma dimensão moral que lhe faculta a competência para formular juízos de valor, segundo os quais os objectos, as situações, as pessoas, as ocorrências não são meros factos, antes realidades apreciadas como boas ou como más. A construção do sujeito moral não é uma tarefa que cada um possa efectuar sozinho. Os progressos conseguidos na auto-realização devem-se à presença do outro com o qual nos identificamos e no qual nos revemos. Ao motivar e condicionar muitas das nossas acções, o outro construi-se como agente formador imprescindível, como o verdadeiro edificador do nosso eu.

O eu, o outro e as instituições
       Levar uma vida saudável sob o ponto de viste ético é um questão pessoal, dizendo respeito ao eu, a cada um de nós, ao modo livre e consciente como agimos. Todavia, porque os nossos actos se repercutem nos outros, a ética é também uma questão social.
         Temos vindo a falar do outro e das relações que com ele estabelecemos, referindo-nos à sociedade, às pessoas em geral com que convivemos e com a ajuda das quais nos vamos constituindo como seres sociais e morais.
         Que formas pode assumir a nossa relação com os outros?
       Duas modalidades: Relação Directa e Relação Indirecta.
       Relação directa:
O outro identifica-se, em primeiro lugar, com aquele com quem o eu convive presencialmente. Os nossos pais, irmãos, outros familiares, amigos, colegas, professores, companheiros de trabalho e habitantes da aldeia ou bairro em que moramos são, assim, pessoas conhecidas que, numa relação face a face com o eu, funcionam como uma segunda pessoa, como um tu com quem o eu confronta sem a presença de intermediários.
       Relação indirecta:
O outro pode assumir uma outra forma em relação ao eu, que determina um relacionamento de ordem diversa. Trata-se de um outro entendido como um terceira pessoa, de um outro que desconheço, mas que eu sei que existe e com quem me relaciono de modo institucional.
O comportamento ético estende-se também a este outro com quem o eu, ultrapassando as relações interpessoais, se relaciona institucionalmente.

Instituições e código moral
         Enquadrando a vida dos homens, as instituições dificilmente estão em desacordo com a vida moral. Elas são, por assim dizer, as guardiãs da moral e bons costumes, exercendo uma acção modeladora, especialmente nas gerações mais jovens.
         Esta tendência para o conservadorismo leva algumas pessoas a encarar as instituições como uma salutar salvaguarda das tradições e ensinamentos do passado, pelo que consideram que o seu papel se torna imprescindível nas várias etapas do desenvolvimento dos indivíduos (na infância, na adolescência e no estado adulto há necessidade das instituições). 
        Outras pessoas evidenciam os inconvenientes das instituições, vendo nelas uma oposição à liberdade individual e ao progresso dos povos. Há riscos inerentes às instituições.
         Estas deficiências serão inexistentes se as instituições permitirem às pessoas desenvolver as suas potenciais capacidades. Isto verifica-se quando as instituições têm o condão de proteger e permitir que a pessoa cresça, em vez de a atrofiar. Verifica-se também quando as pessoas sentem a necessidades das instituições, em vez de simplesmente as suportar.
        Entre a vida moral e as instituições verifica-se um relacionamento recíproco. É que, por um lado, a vida moral é garantida pela presença social das instituições, que despertam e desenvolvem a consciência moral, por outro, a vida um comum é que gera as instituições, que passam a fazer parte do contorno moral em que vivem as pessoas.
Jennifer Juliana

terça-feira, 29 de março de 2011

Nova Unidade - Primeira Abordagem

DISTINÇÃO ENTRE MORAL E ÉTICA

O termo moral deriva do latim ‘’mores’’ que significa costumes. Este termo refere-se aos códigos sociais impostos por uma determinada comunidade, e definem o que as pessoas devem ou não devem fazer. Ou seja, moral é o corpo de normas ou de regras que regem os comportamentos dos indivíduos de modo a procederem de harmonia com o que numa sociedade é tido como dever ou como bem. A moral é uma dimensão exterior e quotidiana, pois as normas são passadas ao longo da vida, os valores e regras são aprendidos, interiorizados e agimos/decidimos em função deles, mas não há reflexão. Quando as pessoas executam actos moralmente correctos, estes podem ser feitos de boa-vontade pela pessoa, ou simplesmente porque  não querem ir contra as normas e costumes do grupo em que pretendem inserir-se. É uma teoria da convivência justa com os outros, não é aquilo que as pessoas querem para elas, mas sim o respeito que devem aos outros (alteridade). Não está relacionada com os objectivos de cada um, mas com os limites que todos têm de respeitar, quaisquer que sejam os seus objectivos. Os valores morais impõem-se a todos indistintamente. Quando pensamos, questionamos sobre as nossas acções, encontramo-nos já no campo da ética.
Exemplos:
·        Um homem de negócios pode querer riqueza, mas não pode consegui-la à custa da apropriação indevida dos bens dos outros.
·        Trabalhar em regime de voluntariado.
·        Ser leal em relação aos amigos.

O termo ética deriva do grego ‘’ethos’’, relacionado com os costumes e carácter, com a intenção e com a finalidade dos actos humanos. A ética procura a razão de ser das acções humanas e das normas por que os homens se orientam. Tem como objectivo estabelecer princípios e critérios que possibilitem a justificação racional das condutas, bem como das normas que as orientam. Ou seja, a ética é a reflexão sobre os actos humanos e sobre as regras morais que os norteiam para lhes determinar o fundamento que permite avaliá-los em termos de bem e de mal. É a dimensão interior, a reflexão filosófica, pois enquanto seres racionais que somos temos a capacidade de nos questionarmos. Ou seja, a ética consiste na interrogação, e no facto de nos questionarmos em relação às nossas condutas morais. A ética esclarece e fundamenta a moral, enquanto decidimos e agimos somos seres morais (pessoas).
Exemplos:
·        Qual a razão de ser do modo como ajo?
·        Porque faço isto e não aquilo?

Andreia Rodrigues

quarta-feira, 23 de março de 2011

FILOSOFIA SEM PALAVRAS - Exposição de Trabalhos de alunos da/na ESMA - Março 2011


Desafio: Trabalho Individual - Reflexão sobre a Exposição... Podem escolher imagens e justificar porque as escolheram....

quinta-feira, 10 de março de 2011

Valores e Cultura

Apontamentos

Relativismo Axiológico  = Os valores são relativos ou variam consoante:
Ø  o sujeito / o indivíduo – Psicologismo
Ø  a sociedade – Sociologismo
Ø  a época histórica – Historicismo

 Relatividade Axiológica  = Os valores são relativos, variam em função de:
·         O sujeito
    Dimensão subjectiva ou pessoal;
·         A cultura
    Dimensão social, cultural, de classe ou de grupo
·         A época histórica
    Dimensão temporal ou histórica

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 Cultura:  sinónimo de civilização, este termo designa o conjunto das tradições, técnicas e instituições que caracterizam um grupo humano; a cultura assim entendida é normativa e adquirida pelo indivíduo desde a infância.

 Cultura inclui:  conhecimentos, crenças, artes, leis, costumes / moral, hábitos, língua, normas, capacidades – técnicas, práticas, religião, educação, objectos, etc.


Cultura:
a)    tudo o que é cultural é adquirido pelo homem enquanto membro de uma sociedade;
b)   toda a cultura é singular, é específica de um povo, tem uma identidade própria que a distingue de todas as outras;
c)    a cultura é geograficamente localizada, por isso a referimos a um local, região ou território;
d)   a cultura é um factor de identificação de um grupo e de diferenciação em relação a outros;
e)   qualquer cultura tem as suas raízes numa história e num conjunto de tradições.
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Relação:

Acção                             Cultura


Valor
Estão sempre em interacção = interagem e
influenciam-se mutuamente

·   Os valores são guias de acção, orientam os nossos projectos, determinam as nossas escolhas ao agir;
·   Os valores são organizados de uma certa forma pela cultura e é através dela          que nos são transmitidos;
·   Pelos valores, pela acção e pela cultura o Homem constrói a sua humanidade.

A CULTURA...  

- condiciona os….                                                            - fornece modelos de…
- propõe uma diversidade de…                                         - motiva/causa a…
- hierarquiza os…                                                          - enquadra a autonomia  e a
- transmite os…                                                              liberdade da…           
          VALORES                                                                          ACÇÃO 
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Na era da Globalização, vivemos numa "Aldeia Global"... há que reflectir nas vantagens e nos riscos desta realidade....

Perante a diversidade cultural, e a multiculturalidade, o diálogo entre culturas é uma exigência do nosso tempo – é um desafio para toda a humanidade. Para levar a cabo esse diálogo é necessário ter como base um conjunto de valores morais partilhados:
·         Salvaguarda dos direitos humanos;
·         Apreço pela liberdade, igualdade e solidariedade;
·         Respeito pelas diferenças culturais;
·         Promoção de uma atitude dialogante;
·         Implementação de uma tolerância activa.

Desafio:
Que Atitude devemos ter perante a diversidade cultural?
Será legítimo sertirmo-nos superiores? recusar? rejeitar? dialogar? 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Parte da Reflexão da Andreia Nunes

Características dos valores:
O valor é de carácter subjectivo (pois somos nós que os criamos, mantemos, alteramos e escolhemos).
Os valores são qualidades atribuídas às coisas, pessoas ou atitudes (os valores não são coisas, nem existem por si mesmos, precisam de um objecto real/referência, como suporte, a que se atribui), são considerados guias da acção humana (são preferências pelas quais o Homem orienta o seu comportamento), são ideais (são vistos como um objectivo a alcançar). São hierarquizáveis (pois cada pessoa possui uma escala de valores pessoal, sendo que uns valores valem mais que outros), são bipolares (para cada valor há um pólo positivo e outro negativo como por exemplo o bem e mal). Por último, os valores são históricos (apesar de alguns valores serem universais, o seu significado difere de cultura para cultura e de sociedade para sociedade).
Os valores são aquilo que constitui a dignidade do ser humano.

Andreia Nunes (10.1)

domingo, 6 de março de 2011

VALORES - Síntese da Joana

Diferença entre Problema e Dilema
As grandes diferenças entre problema e dilema são que o problema tem sempre solução (melhor ou pior, certa ou errada), enquanto um dilema não tem solução, há apenas perspectivas, posições, porque a decisão tomada veio de um conflito de valores. Nenhumas das decisões, que possam ser tomadas, nos satisfazem, todas são um embaraço.
Exemplos:
Problema – Querer comprar um casaco e não ter dinheiro.
Dilema – Existem duas pessoas que precisam de um rim, urgentemente, e só há uma pessoa que nesse momento pode doar um dos seus rins a uma das pessoas, portanto só uma das duas pessoas pode sobreviver (Como decidir? Com que critério?).
Acresce que: uma das pessoas é da sua família, embora já muito idosa, enquanto a outra é uma criança, filha de uns amigos - (As circunstâncias não facilitam a decisão – como decidir? Como conviver com a decisão tomada?).

Factos e Valores
Os factos são o que existe em si, independentemente de qualquer sujeito, isto é, é algo que qualquer pessoa pode verificar. São acontecimentos, realidades concretas, tudo aquilo que podemos observar e verificar.
Os factos são sempre objectivos, não dependem da opinião de cada um, estão relacionados com a descrição da realidade.
Os valores são sempre preferências, escolhas subjectivas, guiadas por crenças ou padrões culturais. A ciência que estuda os valores designa-se axiologia.
Os valores são como guias da acção, isto é, a pessoa pratica uma determinada acção (decide) consoante os valores em que acredita. Por exemplo, se uma pessoa vê alguém a agredir outra e faz queixa, essa pessoa pratica essa acção, porque alguns valores em que acredita são a justiça e a honestidade.
A partir deste exemplo, podemos concluir que os valores estão carregados de subjectividade, isto é, são apreciações, ideais, fins, é o que deve ser e o que se deseja que exista, portanto depende de cada pessoa, estando relacionadas com a idealidade.
Após esta definição de facto e de valor, verificamos que ambos são muito distintos.     
O facto está sempre relacionado com o descritível e o real, enquanto o valor representa o preferível e o possível. Nós vivemos na intersecção de factos e valores, pois no nosso dia-a-dia estamos constantemente a conviver com estas duas realidades ao mesmo tempo.
A valoração acontece quando o sujeito atribui valor às coisas, ao que nos rodeia, ao facto, constituindo-o como objecto de preferência ou rejeição.
Quando aprofundamos o conceito de valor, verificamos que estes têm duas características bastante importantes, as quais não podemos ignorar.
Uma delas é a bipolaridade dos valores, assim, têm um pólo positivo e um negativo. Ao negativo é frequente chamarmos de contravalor. Alguns exemplos da bipolalidade dos valores são: o bem (+) e o mal (-), o conhecimento (+) e a ignorância (-).
A segunda particularidade dos valores é que eles têm uma hierarquia, isto é, uma propriedade na qual se subordinam uns aos outros em função da valiosidade que cada um tem para o sujeito, ou seja, cada pessoa estabelece a sua própria escala de valores em função das suas prioridades (preferências). No exemplo, atrás descrito, aquela pessoa na sua escala de valores deveria ter como prioritário a justiça e a honestidade.
No nosso dia-a-dia, estamos frequentemente a lidar com juízos de facto e de valor.
Os juízos de facto são expressões que traduzem objectivamente a realidade, sem acrescentar qualquer interpretação, comentário ou opinião pessoal, por exemplo se dissermos que "o cobertor é laranja" é um juízo de facto, porque podemos verificá-lo e é independente do sujeito. Por isso, é de salientar que os juízos de facto podem ser verdadeiros ou falsos.
Os juízos de valor são expressões que traduzem o que valem as coisas para um sujeito, seja em função da utilidade, da estética, da moral ou de qualquer outro critério valorativo. Por exemplo, se dissermos "gosto do lindo cobertor laranja" estamos a dar a nossa opinião sobre o cobertor, fazendo desta expressão um juízo de valor.

Universalidade dos Valores
Se pensarmos nos valores como abstractos, sem conteúdo ou definição a maior parte deles, são universais.
Mas se definirmos cada um dos valores, eles deixam de ser universais.
Por exemplo, se falarmos do valor justiça, em todas as sociedades, culturas ou povos existem este valor, sendo este valor universal.
No entanto, a justiça não é igual em todas as sociedades, culturas e povos e se definirmos justiça para cada um deles, vamos obter definições diferentes, deixando este valor de ser universal, uma vez que a sua concretização é divergente de cultura para cultura ou de época para época.
Num país, uma determinada atitude pode ser considerada crime e noutro não. Por exemplo, a poligamia em Portugal não é permitida, enquanto na religião muçulmana não é considerada crime.

Joana Rodrigues (10.1)