"Sem filosofia, os pensamentos são (...) enevoados e indistintos; a sua tarefa é torná-los claros e dar-lhes limites definidos." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus
domingo, 22 de maio de 2011
sexta-feira, 13 de maio de 2011
SER PESSOA
Falar em ética é falar em pessoas. Só pessoas são capazes de condutas éticas. Mas as pessoas vivem sempre integradas socialmente, e isso implica que a ética tenha não só uma dimensão pessoal como também uma dimensão social, sendo as duas indissociáveis.”
PESSOA
Ética – Dimensão Pessoal e Social
Þ Ser único = irrepetível, insubstituível = entidade singular, individual;
Þ Ser racional = capaz de julgar, avaliar, premeditar, prever = com capacidade crítica, sabe dizer sim/não;
Þ Ser portador de valores = só as pessoas podem realizar valores éticos;
Þ Ser livre = com capacidade para escolher / decidir em consciência e em função de valores, daí o ser responsável;
Þ Ser com dignidade = com valor absoluto, incomensurável;
Þ Ser com consciência moral = sabe distinguir o bem do mal, sabe agir por dever;
Þ Ser que existe como um fim em si mesmo; não é uma coisa/objecto (meio);
Þ Ser capaz de compromisso = age recusando a abstenção, a neutralidade, a indiferença;
Þ Ser social, que participa na sociedade intelectual e moral, convive com os outros, realiza-se e reconhece-se através do outro;
Þ Ser em proximidade = a pessoa vive com os outros (em sociedade), por isso é solidária e constrói amizade (deseja o bem da outra pessoa);
Þ Ser aberto = em constante diálogo com os outros e com o mundo (os outros não são um limite mas uma possibilidade de crescimento);
Þ Ser total, a pessoa é uma totalidade na diversidade de papéis que desempenha.
A dimensão pessoal e social da ética – o si mesmo, o outro e as instituições
O homem é uma construção continuada e é nesse processo que adquire consciência moral, o que o torna pessoa, isto é, um sujeito moral.
A formação do homem enquanto sujeito dotado de consciência moral exige uma indissociável relação consigo mesmo, com o outro e com as instituições.
O eu e o outro
Neste processo evolutivo, o querer individual defronta-se com o querer do outro, isto é, as necessidades, impulsos e desejos pessoais deparam com um dever-ser, construindo e ditado como ideal pela sociedade e estatuindo nos seus códigos, Instala-se, assim, um conflito entre aquilo que cada um deseja e aquilo que lhe é socialmente exigido. É na resolução destes conflitos que o ser humano vai interiorizando os padrões e normas de conduta e experiencia os valores sociais reinantes.
Se a vivência do conflito faz nascer o sentido da sua liberdade, a sua resolução, com a interiorização de normas e valores, dá-lhe a consciência do seu eu social.
Com o estabelecimento da noção de dever, a consciência de si adquire uma dimensão moral que lhe faculta a competência para formular juízos de valor, segundo os quais os objectos, as situações, as pessoas, as ocorrências não são meros factos, antes realidades apreciadas como boas ou como más. A construção do sujeito moral não é uma tarefa que cada um possa efectuar sozinho. Os progressos conseguidos na auto-realização devem-se à presença do outro com o qual nos identificamos e no qual nos revemos. Ao motivar e condicionar muitas das nossas acções, o outro construi-se como agente formador imprescindível, como o verdadeiro edificador do nosso eu.
O eu, o outro e as instituições
Levar uma vida saudável sob o ponto de viste ético é um questão pessoal, dizendo respeito ao eu, a cada um de nós, ao modo livre e consciente como agimos. Todavia, porque os nossos actos se repercutem nos outros, a ética é também uma questão social.
Temos vindo a falar do outro e das relações que com ele estabelecemos, referindo-nos à sociedade, às pessoas em geral com que convivemos e com a ajuda das quais nos vamos constituindo como seres sociais e morais.
Que formas pode assumir a nossa relação com os outros?
Duas modalidades: Relação Directa e Relação Indirecta.
Relação directa:
O outro identifica-se, em primeiro lugar, com aquele com quem o eu convive presencialmente. Os nossos pais, irmãos, outros familiares, amigos, colegas, professores, companheiros de trabalho e habitantes da aldeia ou bairro em que moramos são, assim, pessoas conhecidas que, numa relação face a face com o eu, funcionam como uma segunda pessoa, como um tu com quem o eu confronta sem a presença de intermediários.
Relação indirecta:
O outro pode assumir uma outra forma em relação ao eu, que determina um relacionamento de ordem diversa. Trata-se de um outro entendido como um terceira pessoa, de um outro que desconheço, mas que eu sei que existe e com quem me relaciono de modo institucional.
O comportamento ético estende-se também a este outro com quem o eu, ultrapassando as relações interpessoais, se relaciona institucionalmente.
Instituições e código moral
Enquadrando a vida dos homens, as instituições dificilmente estão em desacordo com a vida moral. Elas são, por assim dizer, as guardiãs da moral e bons costumes, exercendo uma acção modeladora, especialmente nas gerações mais jovens.
Esta tendência para o conservadorismo leva algumas pessoas a encarar as instituições como uma salutar salvaguarda das tradições e ensinamentos do passado, pelo que consideram que o seu papel se torna imprescindível nas várias etapas do desenvolvimento dos indivíduos (na infância, na adolescência e no estado adulto há necessidade das instituições).
Outras pessoas evidenciam os inconvenientes das instituições, vendo nelas uma oposição à liberdade individual e ao progresso dos povos. Há riscos inerentes às instituições.
Estas deficiências serão inexistentes se as instituições permitirem às pessoas desenvolver as suas potenciais capacidades. Isto verifica-se quando as instituições têm o condão de proteger e permitir que a pessoa cresça, em vez de a atrofiar. Verifica-se também quando as pessoas sentem a necessidades das instituições, em vez de simplesmente as suportar.
Entre a vida moral e as instituições verifica-se um relacionamento recíproco. É que, por um lado, a vida moral é garantida pela presença social das instituições, que despertam e desenvolvem a consciência moral, por outro, a vida um comum é que gera as instituições, que passam a fazer parte do contorno moral em que vivem as pessoas.
Jennifer Juliana
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