"Só sei que nada sei" - a douta ignorância socrática, modelo de humildade filosófica, espírito crítico e a fecundidade da dúvida (só quem sabe que não sabe quer saber).
Neste espaço podem publicar, como comentários, os vossos trabalhos / pesquisas sobre Sócrates. O método, a vida, a morte....


4 comentários:
A Douta Ignorância/ Sócrates – Atitude Crítica exemplar
1. Sócrates procura levar os contemporâneos a desconfiar das convicções pessoais e a reflectir sobre os pressupostos em que pretensamente se ancoravam.
2. O “só sei que nada sei” condensa a postura crítica deste filósofo face às “verdades” fáceis, às opiniões correntes, às convicções em voga.
3. Sócrates considerava que quem julga que possui sabedoria não pode sentir o desejo de saber, que só surgirá naqueles cuja convicção é a de que nada sabem.
4. Sócrates empenhava-se em levar os seus discípulos a tomarem consciência da ignorância que possuíam e manifestavam ao emitir as suas opiniões.
5. Sem esta tomada de consciência, não é possível o conhecimento verdadeiro.
A Fecundidade da Dúvida
1. Tal como os contemporâneos de Sócrates, fomos aderindo a convicções em voga, a ideias socialmente partilhadas.
2. Essas ideias terão que ser confrontadas com a dúvida, que as submeterá a um exame crítico.
3. Continuar com elas torna-se legítimo se essas ideias derem provas de resistir à avaliação.
4. A sua garantia será assegurada por fundamentos que as sustentam de modo racional.
Biografia de Sócrates
Sócrates, um dos filósofos da antiguidade grega mais conhecidos de toda a História da Filosofia, desenvolveu uma filosofia centrada no Homem (pensamento antropológico) e na Praça Pública de Atenas dialogava com os jovens sobre questões da vida social e política. Deste grande mestre do pensamento nada ficou, por si, escrito. Foi influenciado pelo conhecimento de um outro importante filósofo grego (Anaxágoras), e sabe-se que se dedicou, sobretudo, ao ensino e ao conhecimento da virtude. Ficou na história como o modelo do filósofo, não apenas por ter levado a defesa das suas posições ao ponto supremo da coragem e da coerência, enfrentando a condenação à morte com a maior serenidade, como ainda por ter feito da sua própria vida um exercício filosófico. Sócrates não foi muito bem aceite por parte da aristocracia grega, pois defendia algumas ideias contrárias ao funcionamento desta sociedade. Criticou muitos aspectos da cultura grega, afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes não ajudavam no desenvolvimento intelectual dos cidadãos gregos.
Rita Rita
A morte de Sócrates
Sócrates foi condenado à morte em 399 a.C., em Janeiro, com 71 anos. Foi acusado de ateísmo e de corromper os jovens com a sua filosofia.
Ânito, Meleto e Lícon acusaram Sócrates de ter introduzido novas entidades divinas e negado os deuses da pátria, mas na realidade estas acusações encobriam sentimentos profundos contra Sócrates, por parte dos poderosos da época.
Quem acusou Sócrates pediu a pena de morte, e o tribunal reconheceu que Sócrates era culpado. Neste caso, Sócrates podia pedir uma pena inferior, e o tribunal tinha de decidir entre a pena que o acusador tinha pedido e a de Sócrates.
Sócrates interrogou o acusador, perguntando-lhe quem é que melhorava a cidade e, este respondeu que todos melhoravam a cidade, com excepção de Sócrates. Sócrates disse-lhe que se ele corrompia os cidadãos intencionalmente, este devia instruí-lo e não condená-lo à morte.
Então, Sócrates propôs uma multa de trinta minas (ironia), o que fez com que fosse condenado à morte por maioria absoluta.
Esteve preso durante mais de um mês, à espera da sua execução. Quando chegou o dia da execução, não quis vestir a túnica que o seu amigo lhe havia trazido. Mesmo ainda tendo algum tempo, preferiu beber o veneno (cicuta). Nesse momento, deitou-se e esperou que o veneno chegasse ao coração. Quando morreu foi Críton que lhe fechou os olhos.
Andreia Rodrigues
O Fábio Galego disse:
Se houvesse respostas para tudo… não despertava interesse e curiosidade.
Se já se conhecesse tudo não íamos à procura de respostas e não precisávamos da capacidade de questionar, criticar, analisar, avaliar, comparar, comentar, esclarecer, enumerar, explicar, interpretar, justificar...
ASSIM, PODEMOS DIZER QUE A IGNORÂNCIA É UMA BENÇÃO!!!!
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