"Sem filosofia, os pensamentos são (...) enevoados e indistintos; a sua tarefa é torná-los claros e dar-lhes limites definidos." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

PLATÃO: A Alegoria da Caverna

http://www.univ-ab.pt/~vcardoso/articles/Il_re_ed.html

http://clp-esb.blogspot.com/2010/01/alegoria-da-caverna-de-platao.html

7 comentários:

Anónimo disse...

Fábio Galego
Interpretação da alegoria
O mito da caverna é uma metáfora da condição humana perante o mundo, no que diz respeito à importância do conhecimento filosófico e à educação como forma de superação da ignorância, isto é, a passagem gradativa do senso comum enquanto visão de mundo e explicação da realidade para o conhecimento filosófico, que é racional, sistemático e organizado, que procura as respostas não no acaso, mas na causalidade.
Segundo a metáfora de Platão, o processo para a obtenção da consciência abrange dois domínios: o domínio das coisas sensíveis (eikasia e pístis) e o domínio das ideias (diánoia e nóesis). Para o filósofo, a realidade está no mundo das ideias e a maioria da humanidade vive na condição da ignorância, no mundo das coisas sensíveis, no grau da apreensão de imagens (eikasia), as quais são instáveis, não são funcionais e, por isso, não são objectos de conhecimento.

Anónimo disse...

Muito bem Fábio

Professora Paula silva

Unknown disse...

“A Alegoria da Caverna” – convicções de Platão

Platão nasceu em Atenas em 427 a.C., era filho de Artíston e Perictioné. O seu verdadeiro nome era Aristocles. Mais tarde, recebeu o apelido de Platão, que designava alguém com um porte atlético e ombros largos. Recebeu uma excelente educação, não casou nem teve filhos.
Viajou pela Magna Grécia, onde aprendeu os ensinamentos deixados por Pitágoras, andou pelo Egipto e muitos afirmam que esteve no Oriente.
No início dedicou-se à poesia e depois à filosofia. Aos dezoito anos conheceu Sócrates, e a partir daí permaneceu ao seu lado durante dez anos, até 399 a.C., quando Sócrates morreu. Em 387 a.C. fundou uma escola nos jardins de Academus, dedicando-se ao ensino e à composição das suas obras.
Foi sem dúvida um dos maiores filósofos que a humanidade já possuiu, o sábio dos sábios, durante 22 séculos.
A Alegoria da Caverna faz parte de uma das mais famosas obras de Platão, a “República”. Platão mostra a visão de uma humanidade ignorante, prisioneira das sensações, do imediatismo e inconsciente da sua limitada perspectiva. Os raros privilegiados que conseguem escapar das amarras dessa "caverna", através de uma longa e difícil caminhada intelectual vão descobrindo outras dimensões mais completas e reais, primeiro os objectos e a fogueira, e no fim, já fora da caverna, encontrarão a verdadeira realidade, a origem e a explicação de tudo o que existe.
Platão com esta metáfora quer mostrar que todas as pessoas devem aprender a raciocinar por elas próprias, e não pensar apenas sobre o que as outras pessoas querem que elas pensem, e que é preciso aprender a ver mais além das coisas concretas. Os homens que não queriam sair da caverna, somos nós que estamos acostumados a ver somente o que os donos do poder nos mostram, acreditando que somente aquilo é verdadeiro, que somente eles estão certos, e que nós não precisamos de pensar porque já temos quem o faça por nós. Então somos convidados a sair da caverna para ver a realidade e deixarmos de ser submissos a estes tais donos do poder.

A caverna é a metáfora para o nosso mundo físico. Lá dentro estamos nós, a fogueira e outros objectos. Platão não nega que haja alguma luz nas primeiras etapas da nossa "libertação", admite até que possamos vislumbrar alguns objectos reais à luz da fogueira. Mas para ele a verdadeira luz está no exterior, não é a luz vacilante da fogueira, mas a luz brilhante do sol: é a sua metáfora para o mundo das ideias.
Esta metáfora é uma das mais fascinantes e assustadoras metáforas do pensamento ocidental, é, entre outros vectores possíveis de análise, uma visão alegórica sobre a educação e a libertação, mas também, em última análise, uma revelação do potencial de dominação e opressão que a educação pode ter sobre o ser humano.

Paula Silva disse...

Muito bem Joana.
Boa pesquisa.

Anónimo disse...

A Alegoria da Caverna é um texto escrito por Platão, discípulo de Sócrates, e encontra-se na obra intitulada A República (livro VII).
Encontra-se sob a forma de diálogo, em que as falas são as de Sócrates e de Glauco.
Este diálogo, mostra a visão do ignorante, que vive do senso comum, e que pensa dominar conhecimentos suficientes, e a visão do filósofo, que sabe o que desconhece e o caminho que é preciso percorrer para atingir a sabedoria, este procura o saber e é antidogmático.
Para além disso, esta alegoria é uma crítica à sociedade ateniense.

Este diálogo conta a história de dois homens que estão presos numa caverna, virados para a parede do fundo e que não conseguem olhar para a entrada da caverna, eles nasceram nessa caverna e não conhecem mais nada. Na entrada da caverna passam pessoas, animais e todo o tipo de objectos. Do outro lado da estrada existe uma fogueira que projecta para a parede do fundo da caverna as sombras de quem ali passa e dos objectos. Os homens que estão na caverna só vêem as sombras que são projectadas na parede, e ficam fascinados com o que vêem. Eles pensam que aquilo que estão a ver é real, mas o real é o que se encontra fora da caverna.
Até que um dia, um dos homens consegue sair da caverna. Este, maravilha-se com o que vê. Mais tarde, volta para a caverna para contar aquilo que viu e descobriu no mundo real, mas é ignorado e no fim é morto por dizer tal coisas.

A Alegoria da Caverna explica a passagem da ignorância ao pensamento filosófico, ou seja, é a passagem do senso comum enquanto uma visão do mundo para o conhecimento filosófico. Na ignorância, as pessoas acreditam naquilo que vêem e no que lhes dizem, sem se questionarem. No conhecimento filosófico, as pessoas questionam-se e espantam-se com o que vêem, e procuram explicações lógicas (racionais) para explicar tais fenómenos.
Para os filósofos, a realidade encontra-se no mundo das ideias (imutável), é lá onde se encontra o conhecimento.
Já a humanidade encontra-se no mundo das coisas sensíveis (mutável), na ignorância, na aparência, no engano e nas sombras.
Mesmo passado tanto tempo, a Alegoria da Caverna ainda é válida hoje em dia, ou seja, é intemporal.

Andreia Rodrigues

professora Paula Silva disse...

Muito bem Andreia.
Boa síntese das duas últimas aulas.
Bjo

Anónimo disse...
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