"Sem filosofia, os pensamentos são (...) enevoados e indistintos; a sua tarefa é torná-los claros e dar-lhes limites definidos." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus
Em geral, o método dialógico de Sócrates é constituído por dois momentos fundamentais: • A ironia, que denuncia as verdades feitas e o falso saber daqueles que pensam que já sabem tudo; • A maiêutica, técnica através da qual se consegue observar como é que uma ciência desconhecida se transforma progressivamente numa ciência conhecida.
Sócrates revelava aos outros aquilo que eles próprios já sabiam sem terem consciência. Ele pretendia que o seu questionamento sistemático levasse os outros a um ponto crucial de consciência crítica, procurando a verdade no seu interior. A maiêutica é, assim, a fase positiva e construtiva do método socrático, que permite o acordo através das certezas universais obtidas pela definição após a discussão. Através de perguntas/respostas, Sócrates pretendia dar e devolver argumentos entre interlocutores através de um discurso curto e preciso, cujo objectivo era a procura da verdade. A este método, cuja arte subtil está na capacidade de argumentar chama-se "dialéctica". Numa primeira fase Sócrates procura destruir a suposta coerência do raciocínio dos seus interlocutores, fazendo com que os outros falem sobre aquilo que afirmam, para os obrigar a reflectir sobre aquilo que dizem. Ele opõe-se à verdade fixada (aquela que as pessoas aprendem porque lhes ensinaram, não reflectindo sobre ela), ao dogmatismo e pretende destruir os preconceitos irreflectidos. Quer que os seus interlocutores se consciencializem da suposta "verdade" das suas afirmações, levando-os a um exame de consciência que lhes dará conta da sua ignorância. É como se os conhecimentos das pessoas fossem postos em causa através da interrogação e não de uma forma expositiva. Assim os adversários de Sócrates são levados à dúvida relativamente aos seus próprios conhecimentos, ficando embaraçados com as perguntas traiçoeiras e precisas, cujas respostas demonstram quão fracos são os seus argumentos e opiniões. Nessas alturas, Sócrates usava então uma das suas outras técnicas: dar a mão ao interlocutor apesar de achar que este estava vencido no argumento usado. O que Sócrates pretendia era que não houvessem vencedores nem vencidos, mas sim caminhar conjuntamente para estabelecer a verdade. O discurso de Sócrates prende-se com o facto de não responder às próprias questões que lança. Não dá respostas positivas. Sócrates não pretende informar, mas sim formar os seus interlocutores. O Método de Sócrates pretende ensinar o uso e o valor das definições precisas dos conceitos que se empregam nas discussões do quotidiano. Não as chegaremos a possuir sem, previamente procedermos a uma revisão das noções tradicionais, do senso comum, das concepções vulgares incorporadas na linguagem. A forma como Sócrates se dirige ao seu interlocutor e desenvolve o seu método apresenta quatro características: 1. Sócrates dirige-se sempre a uma só pessoa, nunca se dirige a um grupo de homens, nem aos homens em geral. 2. É dialéctico (argumentativo). Sócrates jamais admitia como verdadeiro o que seu interlocutor não admitisse como verdadeiro. Assim o diálogo só se desenrolava e tomava caminho mediante aquilo a que o interlocutor estivesse de acordo. Nunca impunha as suas ideias a ninguém. 3. Nos seus diálogos, Sócrates ocupa o lugar de interrogador. Aliás, nem podia ser de outro modo, uma vez que ele parte para a discussão com uma atitude de dúvida constante, afirmando nada saber - "só sei que nada sei". Cabe ao seu interlocutor responder. 4. A última característica é que o interlocutor pode dizer o que pensa verdadeiramente sem se preocupar nem com a opinião dos outros nem com a coerência relativamente à sua opinião inicial, aderindo totalmente ao que é verdadeiro. O interlocutor compromete-se de um modo total com a verdade, sendo o caminho para a prática do bem e da virtude.
Sócrates baseava-se no diálogo que tinha como objectivo pedagógico, levar os seus interlocutores a ter consciência que não sabem. Ele questionava os seus interlocutores procurando resposta a questões como o que é a felicidade, a justiça, a beleza, etc., as pessoas davam as suas definições, e Sócrates, continuava a questionar, até chegar a um ponto em que os interlocutores já não sabiam responder e era aí que tomavam consciência da sua ignorância e ficavam com a mente aberta para ir à procura de respostas. Muitas pessoas não gostavam que o seu conhecimento fosse posto em causa, ou interrogado, e assim, Sócrates começou a ganhar alguns inimigos, porque incomodava... A ironia denunciava a impotência dos falsos poderes. Sócrates preocupava-se em ensinar aos outros o que afinal todos sabiam (o conhecimento já estava na alma do interlocutor, mas precisava de ajuda para ser “dado à luz”, pois conhecer é recordar), uma vez que Sócrates afirmava “só sei que nada sei”.
Assim, faz parte do método de Sócrates a maiêutica que é a arte de dar à luz a verdade.
O pai de Sócrates era escultor, que é quem esculpe e retira o que não interessa da matéria-prima, isto na lógica de Sócrates significa que a escultura já está lá e o que o escultor faz é retirar o que está a mais, tal como ele próprio faz nos diálogos.
Sócrates retirava das pessoas as respostas que não faziam sentido deixando que viesse à tona a verdade e o conhecimento que a alma já continha. A mãe de Sócrates era parteira e a parteira é quem ajuda a dar à luz. Sócrates é parteiro das almas porque ajuda os seus interlocutores a “dar à luz” a verdade, depois de ter consciência que não sabe. Ele não dá as respostas, só ajuda a encontrar o caminho para o conhecimento porque a alma já nasce com o conhecimento, só que o corpo faz com que se esqueça que o tem. Daí dizer que o trabalho de Sócrates é a continuação do trabalho dos pais, mas trabalhando com as almas dos seus interlocutores.
2 comentários:
O Método Socrático
Em geral, o método dialógico de Sócrates é constituído por dois momentos fundamentais:
• A ironia, que denuncia as verdades feitas e o falso saber daqueles que pensam que já sabem tudo;
• A maiêutica, técnica através da qual se consegue observar como é que uma ciência desconhecida se transforma progressivamente numa ciência conhecida.
Sócrates revelava aos outros aquilo que eles próprios já sabiam sem terem consciência. Ele pretendia que o seu questionamento sistemático levasse os outros a um ponto crucial de consciência crítica, procurando a verdade no seu interior.
A maiêutica é, assim, a fase positiva e construtiva do método socrático, que permite o acordo através das certezas universais obtidas pela definição após a discussão.
Através de perguntas/respostas, Sócrates pretendia dar e devolver argumentos entre interlocutores através de um discurso curto e preciso, cujo objectivo era a procura da verdade.
A este método, cuja arte subtil está na capacidade de argumentar chama-se "dialéctica".
Numa primeira fase Sócrates procura destruir a suposta coerência do raciocínio dos seus interlocutores, fazendo com que os outros falem sobre aquilo que afirmam, para os obrigar a reflectir sobre aquilo que dizem. Ele opõe-se à verdade fixada (aquela que as pessoas aprendem porque lhes ensinaram, não reflectindo sobre ela), ao dogmatismo e pretende destruir os preconceitos irreflectidos. Quer que os seus interlocutores se consciencializem da suposta "verdade" das suas afirmações, levando-os a um exame de consciência que lhes dará conta da sua ignorância. É como se os conhecimentos das pessoas fossem postos em causa através da interrogação e não de uma forma expositiva.
Assim os adversários de Sócrates são levados à dúvida relativamente aos seus próprios conhecimentos, ficando embaraçados com as perguntas traiçoeiras e precisas, cujas respostas demonstram quão fracos são os seus argumentos e opiniões.
Nessas alturas, Sócrates usava então uma das suas outras técnicas: dar a mão ao interlocutor apesar de achar que este estava vencido no argumento usado. O que Sócrates pretendia era que não houvessem vencedores nem vencidos, mas sim caminhar conjuntamente para estabelecer a verdade.
O discurso de Sócrates prende-se com o facto de não responder às próprias questões que lança. Não dá respostas positivas. Sócrates não pretende informar, mas sim formar os seus interlocutores.
O Método de Sócrates pretende ensinar o uso e o valor das definições precisas dos conceitos que se empregam nas discussões do quotidiano. Não as chegaremos a possuir sem, previamente procedermos a uma revisão das noções tradicionais, do senso comum, das concepções vulgares incorporadas na linguagem.
A forma como Sócrates se dirige ao seu interlocutor e desenvolve o seu método apresenta quatro características:
1. Sócrates dirige-se sempre a uma só pessoa, nunca se dirige a um grupo de homens, nem aos homens em geral.
2. É dialéctico (argumentativo). Sócrates jamais admitia como verdadeiro o que seu interlocutor não admitisse como verdadeiro. Assim o diálogo só se desenrolava e tomava caminho mediante aquilo a que o interlocutor estivesse de acordo. Nunca impunha as suas ideias a ninguém.
3. Nos seus diálogos, Sócrates ocupa o lugar de interrogador. Aliás, nem podia ser de outro modo, uma vez que ele parte para a discussão com uma atitude de dúvida constante, afirmando nada saber - "só sei que nada sei". Cabe ao seu interlocutor responder.
4. A última característica é que o interlocutor pode dizer o que pensa verdadeiramente sem se preocupar nem com a opinião dos outros nem com a coerência relativamente à sua opinião inicial, aderindo totalmente ao que é verdadeiro. O interlocutor compromete-se de um modo total com a verdade, sendo o caminho para a prática do bem e da virtude.
Sócrates e o Método Socrático
Sócrates baseava-se no diálogo que tinha como objectivo pedagógico, levar os seus interlocutores a ter consciência que não sabem. Ele questionava os seus interlocutores procurando resposta a questões como o que é a felicidade, a justiça, a beleza, etc., as pessoas davam as suas definições, e Sócrates, continuava a questionar, até chegar a um ponto em que os interlocutores já não sabiam responder e era aí que tomavam consciência da sua ignorância e ficavam com a mente aberta para ir à procura de respostas. Muitas pessoas não gostavam que o seu conhecimento fosse posto em causa, ou interrogado, e assim, Sócrates começou a ganhar alguns inimigos, porque incomodava...
A ironia denunciava a impotência dos falsos poderes. Sócrates preocupava-se em ensinar aos outros o que afinal todos sabiam (o conhecimento já estava na alma do interlocutor, mas precisava de ajuda para ser “dado à luz”, pois conhecer é recordar), uma vez que Sócrates afirmava “só sei que nada sei”.
Assim, faz parte do método de Sócrates a maiêutica que é a arte de dar à luz a verdade.
O pai de Sócrates era escultor, que é quem esculpe e retira o que não interessa da matéria-prima, isto na lógica de Sócrates significa que a escultura já está lá e o que o escultor faz é retirar o que está a mais, tal como ele próprio faz nos diálogos.
Sócrates retirava das pessoas as respostas que não faziam sentido deixando que viesse à tona a verdade e o conhecimento que a alma já continha.
A mãe de Sócrates era parteira e a parteira é quem ajuda a dar à luz. Sócrates é parteiro das almas porque ajuda os seus interlocutores a “dar à luz” a verdade, depois de ter consciência que não sabe. Ele não dá as respostas, só ajuda a encontrar o caminho para o conhecimento porque a alma já nasce com o conhecimento, só que o corpo faz com que se esqueça que o tem. Daí dizer que o trabalho de Sócrates é a continuação do trabalho dos pais, mas trabalhando com as almas dos seus interlocutores.
Andreia Nunes
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