"Sem filosofia, os pensamentos são (...) enevoados e indistintos; a sua tarefa é torná-los claros e dar-lhes limites definidos." Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

2 comentários:

Anónimo disse...

Do Mito à Filosofia

O mito e a filosofia são considerados termos antagónicos, pois são exactamente o contrário.
O mito deriva do grego, e significa contar. É uma narrativa tradicional, com carácter explicativo e/ou simbólico, relacionado com uma certa cultura ou religião, que procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenómenos naturais, as origens do mundo e do Homem, por intermédio de deuses e heróis. Ou seja, interpreta a realidade de uma forma pouco racional, sem quaisquer argumentos ou fundamentações.
A filosofia é exactamente o contrário do mito, a filosofia é o amor à sabedoria. A filosofia é uma ciência, cujo objecto de estudo é muito vasto, ou seja, não tem um objecto de estudo definido. A filosofia procura explicar a realidade de uma forma racional e fundamentada.
Antes do aparecimento da filosofia, tudo era explicado através de mitos. Estes surgiram da necessidade do Homem justificar fenómenos como o crescimento das plantas, as chuvas, os trovões, as epidemias… Tudo o que acontecia estava ligado ao que acontecia ‘’no mundo dos deuses’’.
A partir de determinadas condições (as viagens marítimas; a invenção do calendário; a invenção da moeda; o aparecimento da vida urbana; a invenção da escrita alfabética e a invenção da política), o modelo mítico começou a ser questionado e substituído por uma forma de pensar racional, ou seja, a inquietação gerada pela curiosidade humana em compreender e questionar os valores aceites sobre a sua própria realidade, fez com que surgisse a filosofia.
Esta surgiu na Grécia Antiga, com a escola de Mileto, da qual se destacaram personalidades como Tales de Mileto, Anaxímenes e Anaximandro (Pré-Socráticos). Tales de Mileto foi o primeiro filósofo pré-socrático a procurar explicações lógicas de todos os acontecimentos, afirmando que tudo era água, ou seja, que o princípio do mundo (cosmos) era um elemento físico, a água.
No século V a.C., a Grécia Antiga encontrava-se numa época de grande desenvolvimento cultural e científico (Período Clássico), então apareceram os sofistas e Sócrates. Os sofistas defendiam uma educação, cujo objectivo era a criação de um cidadão pleno. Enquanto Sócrates procurava entender o Universo dentro de uma concepção humanística, e ficou conhecido como o pai da filosofia. Platão, discípulo de Sócrates, defendia que os pensadores tinham de entender o mundo real, separando-o das aparências, é ele quem inicia uma nova linguagem, a filosofia como a conhecemos.

A filosofia explica os acontecimentos através de causas e razões. Nas cadeias causais, para uma causa existe um efeito, e nas cadeias lógicas, para uma razão existe outra razão. Estas cadeias são típicas da estrutura narrativa da filosofia. No mito não se encontram estas estruturas.
Hoje em dia, o mito ainda permanece. Os mitos gregos já não estão presentes, mas existem outras formas de pensamento mítico. Muitas pessoas ainda tentam explicar muitas coisas através da magia.

Andreia Rodrigues

Unknown disse...

"Do Mito à Filosofia"
Antes do surgimento da filosofia na Grécia, tudo era explicado através de mitos.
Os mitos eram narrativas lendárias, que faziam parte da tradição cultural de um povo, que explica através do apelo ao sobrenatural, ao divino e ao misterioso, a origem do universo, o funcionamento da natureza e a origem e os valores básicos do próprio homem.
Os primeiros filósofos, insatisfeitos com as explicações mitológicas, começaram a questionar os valores aceites pela sociedade da época, que acreditava plenamente nos mitos, não os questionando.
As primeiras ideias filosóficas nasceram nas colónias gregas da Ásia Menor, no final do século VII e início do século VI a.C. Entre os primeiros filósofos, chamados os pré-socráticos, ainda muito “presos” aos mitos, podemos citar: Tales de Mileto (624 - 546 a.C.), Anaximandro (610 - 546 a.C.), Anaxímenes (585 - 528 a.C.) e Pitágoras (571 - 496 a.C.).
No entanto, Sócrates foi o “pai da Filosofia”, tornando-se uma das principais figuras da Filosofia Antiga e um dos filósofos mais conhecidos de toda a História da Filosofia. Dedicou-se, sobretudo, ao ensino e ao conhecimento da virtude. A sua pedagogia visava libertar a consciência da opinião errada e da opinião dos outros, no sentido da descoberta da verdade.
Ele entendia a investigação filosófica como um exame contínuo de si mesmo e dos outros, dedicando a ele todo o seu tempo. Sócrates representa, para a Filosofia Ocidental, o padrão da autonomia da consciência. Ele ficou na história como um modelo para os filósofos, não apenas por ter defendido as suas ideias e posições, mas também por ter demonstrado uma grande coragem e coerência, enfrentando a condenação à morte com muita serenidade, fazendo da sua própria vida um exercício filosófico, que foi a sua obra filosófica por excelência. Conhecemos os seus pensamentos e ideias através das obras de dois de seus discípulos: Platão e Xenofontes, pois Sócrates não deixou por escrito nenhum dos seus pensamentos, por achar que as suas ideias e opiniões poderiam mudar ao longo da vida, e se as publicasse era um compromisso demasiado grande, porque depois não poderiam ser alteradas.
A palavra filosofia é de origem grega e significa amor à sabedoria. Ela surge a partir do momento em que o homem começou a reflectir sobre o funcionamento da vida e do universo, tentando encontrar uma resposta para as grandes questões da existência humana.
A partir do aparecimento dos sofistas e de Sócrates, muda o eixo da preocupação do pensamento grego, que passa do universo físico (cosmos) à realidade humana (antropológica). Trata-se da passagem da fase cosmológica para a fase antropológica.
A filosofia começa assim a afastar-se das investigações dos pré-socráticos, sobre a natureza e o universo, para dedicar-se mais às questões propriamente humanas.